Centro Cultural Barroco na Bahia

Posted on 24/08/2007

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por Florence Perez

Um casarão antigo, com cheirinho de comida alemã vindo de uma cantina no porão, pianos e órgãos, discos, CDS e fitas de música clássica, aliados ao canto barroco vindo do conjunto das vozes de tenores, baixos, sopranos e contraltos. Esse pedacinho da cultura alemã e erudita pode ser encontrado no bairro na Saúde. Na cidade dos ritos afros, do samba, do axé carnavalesco, há também espaço para a música clássica. Além de sua arquitetura e ruas do Centro Histórico fazerem referência à época barroca dos séculos XVI e XVII, a cidade baiana ainda conta com o Centro Cultural Barroco na Bahia.
O projeto tem como objetivos revitalizar e expandir ao público baiano, a música erudita e a arte sacra. O Coral é composto por sessenta integrantes que se apresentam em óperas no Teatro Castro Alves (TCA) e, concertos dominicais e missas solenes na Catedral Basílica de Salvador. ”Tudo começou, em 1987, com um convite do Arcebispo Dom Lucas Moreira Neves e fundei na Alemanha e aqui o Barock in Bahia”, disse Hans Bönisch, fundador e responsável pelo grupo Barroco. Com o apoio do Governo da República Federal da Alemanha e do “Centro Europeu Schloss Raesfeld”, Bönisch, conseguiu reformar o casarão que pertenceu ao fundador do jornal A Tarde, Ernesto Simões Filho.
As composições alemãs dão um novo cenário à Salvador. Com harmonia entre baixos e tenores, contraltos e sopranos, os ensaios acontecem todas as segundas e quartas-feiras em um casarão antigo com estilo “art nouveau”, sediado no bairro da Saúde. “Aprecio muito a música e a estética barroca. Como em qualquer movimento artístico, sempre há os prós e contras, mas os concertos baronianos me fazem sentir felicidade em viver. É o meu trabalho, é a minha vida. Gosto de pensar que estou levando aos baianos a cultura erudita”, afirmou Bönisch.
Hans é um estudioso de música clássica. Segundo ele, Johann Sebastian Bach foi o maior compositor do barroco alemão, e um dos mais importantes da história da música, por ter esgotado todas as possibilidades da música barroca. Sua morte é considerada como o ponto final do Período Barroco.
A música barroca é o estilo musical correlacionado com uma época cultural homônima na Europa. “O barroco é a vitória do indivíduo sobre o coro e é o individualismo na música, é um espetáculo fantástico”, afirma Guilhermina Silva Alves Andrade, integrante e organizadora do projeto Barroco na Bahia.
O desejo de tornar-se tenor
O estudante de música, Pedro Soares Lyra, precisou coragem para largar o curso de engenharia e enfrentar seus familiares para dedicar-se à música clássica. A família tem uma empresa de engenharia e acha que arte não garante uma vida financeira estável. A realidade é dura para quem decide seguir uma carreira sem apoio da família, e fato que torna-se um entrave ainda maior que a desvalorização da música erudita no Brasil. “O grande problema é que em nosso país, o que faz sucesso são outros estilos musicais, a música lírica ainda é uma realidade pouco difundida”, disse Pedro.
No ano passado, quando ainda estava na Faculdade, viu um anúncio no jornal sobre o grupo Barroco na Bahia e resolveu fazer um teste. Ao conseguir entrar no projeto, que tem razão social filantrópica, Pedro pode ter a oportunidade de familiarizar-se com a música barroca. “A grande realização do projeto é proporcionar aos amantes da música clássica, uma chance de seguir a carreira”, disse Guilhermina Andrade.
Colaboradores da Arte
O Centro Cultural Barroco na Bahia conta, principalmente, com o financiamento do governo alemão. O local onde fica a sede do projeto, é também composto pelo Consulado Alemão na Bahia e oferece cursos de inglês e alemão. Há também uma taverna que serve a típica comida alemã e serve como um lugar para reuniões e confraternização dos membros do grupo e para as pessoas curiosas em conhecer a cultura germânica.
Por ser uma entidade sem interesse no arrecadamento de lucros, o Coral depende do patrocínio de governos municipais e empresários interessados em colaborar. O Centro Cultural promove eventos e festas com intuito de arrecadar fundos. “Ainda é muito difícil conseguir ajuda do empresariado. É muito triste saber que a arte sacra e clássica não é tão valorizada no mercado do lucro. Mas contamos com uma importante ajudar e incentivo do TCA e da Catedral”, disse Larissa Lacerda, integrante do coral.
A existência do Coral Barroco da Bahia é uma prova de quão rica e miscigenada é a cultura baiana. Segundo Hans Bönisch, a difusão de projetos culturais deve ser levada ao conhecimento de toda população, com o objetivo de informar, educar e elevar o senso crítico.
(novembro de 2006)

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