Muito mais que uma padaria

Posted on 05/04/2007

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por Vanessa Baldacci  

 
Comprar o pão do café da manhã ou fazer um lanche à tarde parece uma simples atividade diária. Mas, para alguns moradores do bairro de Nazaré, essa é uma das melhores partes do dia, pois, é na padaria Panini Delicatessen que, além de encontrar salgados fresquinhos, a população local aproveita para colocar os papos em dia e acaba tornando aquele lugar em um ponto de encontro, onde as fofocas e as amizades surgem involuntariamente.

Situada entre o Colégio Salesiano e a praça de Nazaré, a padaria já chega aos seus sete anos de existência e é um lugar bastante frequentado pela população local. Os moradores sabem aonde ir quando querem reencontrar os amigos, vizinhos ou jogar conversa fora. De acordo com o dono do estabelecimento, Valnei Barbosa, o local serve como um entretenimento para a população. “As pessoas não vem aqui apenas para lanchar ou tomar um cafezinho, muitas vezes elas vem só para socializar com a comunidade e nem sempre consomem os produtos”, garantiu.

Segundo ele, os horários mais cheios e de maior buxixo são ao meio dia e no final da tarde. Ele diz que, ao meio dia, o local é mais freqüentado pelos alunos do Colégio Salesiano e do Coração Sagrado de Jesus, que se situam próximo da padaria. “Os estudantes sentam-se em grupo, conversam, conhecem outras pessoas, fazem muito barulho, mas é um barulho agradável”, afirmou Barbosa, dizendo ser um grande fã dos adolescentes.

A Panini não é apenas uma simples padaria, é um local que proporciona um certo entrosamento entre os membros da comunidade. Há quem ouse dizer que o ambiente tem o mesmo efeito da praça. “A praça é um lugar onde as pessoas param para descansar e conversar, a padaria não é uma praça, mas tem o mesmo efeito, pois todos compartilham seus problemas, dúvidas e alegrias”, afirmou a estudante de 16 anos do Colégio Salesiano, Alles Falcão.

A afirmação de Alles tem fundamento, pois, basta seguir em frente e encontraremos a enorme praça que fica no bairro e em frente ao Colégio Salesiano. Mas a maioria dos clientes da delicatessem garantem que preferem ir para a Panini ao invés da praça. “Alguns colegas vão para a praça no intervalo de aulas, mas eu prefiro vir para cá, pois já conheço muita gente e sei quem vou encontrar”, concluiu Allen.

Mas não é só de buxixo e fofocas que vive a padaria. Além dos momentos de recreação, a delicatessen oferece à sua clientela receitas deliciosas e tradicionais que dão água na boca. De acordo com Mércio de Souza Soares, gerente do estabelecimento que trabalha no local há cinco anos, o produto mais procurado é o pão francês. Em seguida vem o pão doce, recheado, de leite, de milho e de batata. Bolos de aipim, carimam, chocolate, milho e de ovo também são servidos e bastante consumidos. Soares garante as receitas são exclusivas e caseiras.

Quem optar por um sanduíche vai ficar na dúvida entre qual escolher. São inúmeras as variedades: queijo, misto, ovo e salada, mortadela, calabresa, americano, especial, dentre outros. Os doces caseiros são famosos e sujeitos a encomenda. Mércio afirma que cerca de 40% das vendas dos doces são feitos para atender pedidos. “Pessoas que tem família que moram fora levam muito esses doces e encomendam uma grande quantidade quando vão visitá-los”, explicou.

Quem quiser variar o cardápio pode optar por uma coxinha de frango, saltenha de carne, bolinho de bacalhau, pastel e até mesmo pela especialidade da casa, o sonho. Saboroso e exagerado para seu tamanho regular, o doce é vendido a R$0,60, preço reduzido para entrar no orçamento da clientela, que em sua maioria faz parte da classe média baixa.
Soares conta que se compararmos os produtos da padaria em Nazaré e de outra que fica na Pituba, por exemplo, ficará clara a diferença de preços. “Tudo varia de acordo com o poder aquisitivo da população local. Se copiássemos os preços de uma padaria em bairro mais nobre, certamente não atenderíamos à demanda e venderíamos muito menos”, disse.

Com o pão cacetinho, como é mais conhecido, sendo vendido a R$0,20 e um cafezinho a R$0,30, fica fácil apreciar a primeira refeição do dia sem gastar muito. Soares afirma que, logo que abre as portas, às 6:30h do dia, já encontra fregueses sentados à espera dos serviços. “Aqui sai de café da manhã à lanche da noite, o pique não pára”, explicou.

Porém, quem tiver vontade de tomar uma cervejinha terá que se dirigir para outro lugar, pois na delicatessen de seu Valnei é proibida a venda de bebidas alcoólicas. O motivo, diz o dono, é o fato de não querer transformar o local em reunião para os biriteiros de plantão, que podem se exaltar e afastar a clientela. “Nada contra os que gostam de tomar umas e outras de vez em quando, mas, como aqui é um lugar freqüentado também por idosos e crianças, evito esse tipo de contato para não assustá-los”. Para Barbosa, a restrição às bebidas alcoólicas é o que permite ao seu estabelecimento atrair todos tipos de pessoas e idades.

Já estabilizado no mercado, seu Valnei, como é carinhosamente chamado, cuida de sua delicatessen com muita dedicação e cuidado. Segundo ele, a loja nunca passou por uma crise financeira muito forte. “Por mais pobre que a pessoa esteja, ela nunca vai deixar de comer, pode até economizar em outras coisas, mas não em alimentos”, garantiu.
A Panini, que completa oito anos ainda em 2004, surgiu para atender a uma população que estava cansada de ter apenas o Bompreço como opção para fazer as compras. “Tínhamos que enfrentar filas só para comprar um pão e um queijo, não era justo”, completou a aposentada Jazira Gil.

Sendo a única padaria de Nazaré, segundo a população local, Barbosa diz que, de tanto ouvir as reclamações de pessoas do bairro, decidiu transformar sua casa de ferragens, que já não ia muito bem, em uma padaria. A mudança foi positiva e deu origem ao atual estabelecimento. Seu Valnei conta que a criação da Panini Delicatessen transformou sua vida, e garante: “As reclamações diminuíram e o povo ficou muito mais satisfeito”.

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Posted in: CIDADE