Mabel Velloso

por Mariana Paiva 

 

Baiana de Santo Amaro da Purificação, a escritora, compositora e professora Mabel Velloso, 70 anos, escolheu o bairro do Tororó para morar. Mabel é mais um talento do clã Velloso: irmã de Caetano e Maria Bethânia, mãe da cantora Belô Velloso, filha de dona Canô.

É na rua José Duarte, na avenida Joana Angélica, perto do Hospital Martagão Gesteira, que Mabel reside, com sua filha e seus dois netos. Para a escritora que nasceu no interior, a vizinhança da sua casa é diferente da que tinha em Santo Amaro: “É egocêntrica, não existe aquela afinidade, aquele companheirismo”. Mesmo assim, a filha de dona Canô escolheu o bairro do Tororó para morar há 28 anos por considerá-lo calmo e tranqüilo, pois transmite a ela um pouco da idéia de estar numa cidade de interior, como uma continuação de sua cidade natal.

O crescimento da cidade e do bairro, que vieram naturalmente com a passagem do tempo, certamente acarretaram alguns problemas à paz que reinava no lugar. A reclamação de Mabel é praticamente a mesma da maioria dos moradores de Salvador: o som alto. “O aspecto negativo de morar aqui é a nova mania de alguns moradores adquiriram de deixar carros com as molas abertas tocando som muito alto, tirando o sossego dos moradores”, conta a compositora. Apesar disto, Mabel não deixa de considerar o Tororó um bairro bom de se morar, e o define como “quieto”.

Mesmo morando em Salvador há tanto tempo, a escritora não esquece suas origens. Recentemente, produziu, junto com a irmã Maria Bethânia, o cd “Brincar de rezar”, para comemorar seus 70 anos, com as vendas revertidas para a igreja de Santo Amaro da Purificação. Foram dez os livros produzidos ao longo de sua carreira, além de seis músicas compostas, gravadas por Belô e Bethânia. Foram quatro livros de contos, quatro infantis e dois de poesia. Mabel terá adaptado para o cinema o seu romance “Janelas” e participa freqüentemente dos saraus do Theatro XVIII, no Pelourinho, em que ocorrem recitais em homenagem a grandes artistas.

Apesar da declarada paixão pela cidade natal, Santo Amaro, que está sempre presente em sua obra e sua vida, isso nunca impediu que ela criasse laços com o bairro onde mora. Foi aos poucos, como Mabel define: “Fui aos poucos me integrando com as ruas, os prédios”. Mas a escritora tem mesmo especial carinho é pelo Dique do Tororó e faz questão de dizê-lo: “Me acostumei também com uma magia que entra em mim por morar perto das águas do Dique”. Será essa a magia que inspira a sua arte?

(junho de 2004)

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