por Patrícia Trigueiros
Capacidade, 100 mil espectadores, mas já comportou quase 110.500 pessoas. Seu tamanho, 110 metros por 75. Inaugurado em janeiro de 1951, já recebeu muitos “craques” de bola – como Pelé, Zico, Romário – e seleções importantes. Essas são algumas características de um dos maiores estádios de futebol do Brasil, o Octávio Mangabeira, situado em Salvador, na ladeira da Fonte das Pedras, no bairro de Nazaré. A Fonte Nova – como é mais conhecido – foi e continua sendo o palco de grandes clássicos, de belos lances e de grandes shows. Porém, existe um outro lado deste “gigante” que é pouco abordado publicamente. O que poucas pessoas sabem é que o estádio, além de sediar um colégio público, também comporta o “Programa Faz Atleta”, oferecendo de forma gratuita cerca de 20 práticas esportivas à população interessada.
O que ocorre na Fonte Nova, além das linhas do campo de futebol é de fundamental importância para a população, principalmente a de baixa renda, que depende deste espaço para conseguir praticar atividades físicas, como basquete, natação, ginástica olímpica, para os mais jovens, e dança de salão e ginástica para o pessoal da terceira idade. Para Maria Helena, esta é a melhor maneira de sua filha fazer algum exercício. Ela matriculou a menina no curso de dança moderna, no turno da tarde, mas outro esporte interessava mais a Maria: “Gostaria mesmo que minha filha estivesse na natação. Mas, são poucas vagas e a SUDESB dá prioridade aos alunos da casa”. Este realmente é um dos grandes problemas das escolinhas.
Apesar do grande número de participantes do projeto (mais de cinco mil), a Superintendência de Desportos da Bahia (SUDESB) não consegue atender a todos os interessados, porque às vezes faltam os equipamentos, professores ou até mesmo o tempo não é suficiente para atender a todos, por isso as pessoas acabam se matriculando em outros esportes.
O diretor deste departamento da SUDESB, Jorge Vital, acredita que mesmo tendo o número de vagas limitadas, o projeto serve de excelência na preparação e surgimento de talentos esportivos. E ressalta que: “Essas atividades possuem dois objetivos claros, que é o aproveitamento do jovem com parte do tempo ocioso e oportunizar o crescente aumento de atletas, profissionalizando cada vez mais o esporte baiano”. Jorge também afirma que o programa tem o cunho mais educativo e social do que competitivo. E acrescenta que podem participar do projeto crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, idosos e portadores de necessidades especiais (estes são mais de trezentos do grupo total).
Ele também acredita que o “Programa Faz Atleta” – uma parceria do Governo Estadual com a SUDESB – é uma oportunidade única para as pessoas de baixa renda ter acesso a esportes considerados caros, como judô, karatê, yoga, “full contact” e ginástica olímpica, pois esses dependem de equipamentos, como tatame, quimono, trave de equilíbrio, trampolim, mesa de saltos ou “cavalo”, e principalmente de profissionais qualificados. Além de ser um projeto gratuito, ele também “concede” bolsas aos interessados em se dedicarem mais ao esporte ou estágios, para as pessoas que estão aptas a ensinar determinados esportes.
Escola e esporte
O estudante Joaquim Amorim é um dos jovens que alia o esporte que ele gosta – atletismo – com o colégio, já que ambos funcionam na Fonte Nova. “De tarde eu estou correndo e de noite vou assistir à aula”, afirma. Joaquim é mais um dos 66 atletas e mais um dos 1.657 alunos do Colégio Estadual da Fonte Nova, localizado embaixo de uma das arquibancadas do estádio. E como é ser estudante de um colégio que fica dentro de um estádio de futebol? “Ótimo”, diz o jovem, pois ele, como torcedor time do Bahia, pode “acompanhar” de perto as vitórias do seu time.
Entretanto, para a diretora do colégio, Esmeralda Lene, estar “em meio” a um jogo de futebol é muito complicado. “Às vezes não podemos dar aula à noite porque os guardas não deixam os alunos e os professores passarem para a escola”, afirma Esmeralda. E acrescenta que, outras vezes, não há aula porque, por ser um jogo mais intenso em número de público, o barulho da torcida e o tremor da arquibancada são os grandes complicadores. Ela também conta que esse ano está sendo muito difícil para os alunos da noite, já que a SUDESB não passou o calendário, e por isso o calendário acadêmico ficou prejudicado.
Mas, apesar dos “problemas”, a diretora diz que é um bom local de trabalho, e esclarece que o colégio não tem nada a ver com o estádio, apesar de ocupar um pedaço dele. Nos últimos anos, vem melhorando a parceria da SUDESB com a escola, cedendo alguns espaços, como a pista de atletismo que o estudante Joaquim, citado acima, utiliza para se exercitar.E, portanto, em meio a este grandioso complexo, possuindo uma história marcada por tantos lances e jogadas habilidosas do espetáculo do futebol, onde podemos encontrar também um espaço para crianças, jovens e idosos praticar o lazer e cuidar da saúde.
(junho de 2004)
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